Você provavelmente não percebeu, mas enquanto leu esta frase, três brasileiros foram vítimas de algum crime digital. Não é exagero: de acordo com dados do setor de segurança digital, o Brasil registra mais de 54 crimes virtuais por segundo. Em um único dia, isso representa milhões de tentativas de fraude, invasão, extorsão e roubo de dados.
A pergunta não é mais se você pode ser vítima. A pergunta é quando — e se você vai saber o que fazer quando isso acontecer.
Neste artigo, vamos explicar o que está acontecendo no ambiente digital brasileiro, quais são os crimes mais comuns, por que o problema só tende a crescer e como profissionais qualificados estão se tornando essenciais para enfrentar essa realidade.
54
crimes virtuais por segundo no Brasil
2.766
ataques semanais por organização (2025)
+50%
crescimento de ciberataques no 1º tri 2025
71%
dos brasileiros já foram vítimas de golpe virtual
O que são crimes digitais — e por que todo mundo está vulnerável
Crime digital, ou cibercrime, é qualquer atividade criminosa que utilize um computador, dispositivo móvel ou rede de internet como instrumento ou alvo. Isso inclui uma lista enorme de infrações: fraudes bancárias, golpes em redes sociais, invasão de contas, sequestro de dados (ransomware), extorsão com imagens íntimas, difamação, roubo de identidade e muito mais.
O que torna esse cenário especialmente preocupante é que qualquer pessoa conectada à internet é um alvo em potencial — independentemente de idade, profissão ou nível de escolaridade. Uma pesquisa da NordVPN revelou que aproximadamente 71% dos brasileiros entrevistados já sofreram algum tipo de golpe virtual. São pessoas comuns: professores, aposentados, estudantes, profissionais liberais, pequenos empresários.
💡 O crime digital não é um problema de grandes empresas. É um problema de todos. Cada celular conectado é uma porta de entrada em potencial
Os crimes digitais que mais cresceram no Brasil em 2025
O panorama do cibercrime brasileiro em 2025 é preocupante — e os dados não mentem. Veja os tipos de crime que mais se expandiram:
- Golpes via Pix
O Pix democratizou as transferências financeiras no Brasil — e, com ele, uma nova geração de golpes. Somente entre janeiro e setembro de 2025, foram registrados 28 milhões de casos de golpes via Pix. Os criminosos usam engenharia social, falsas centrais bancárias, QR codes adulterados e perfis falsos para convencer as vítimas a realizar transferências. - Ransomware — o sequestro digital
O ransomware é um tipo de malware que ‘sequestra’ os dados de um sistema — criptografando tudo — e exige pagamento (normalmente em criptomoedas) para liberar o acesso. Entre janeiro e março de 2025, os ataques de ransomware cresceram 126% no Brasil em comparação com o mesmo período do ano anterior. Empresas de todos os setores foram afetadas, incluindo hospitais e órgãos públicos. - Deepfakes e golpes com Inteligência Artificial
A IA está sendo usada para o mal. Criminosos criam vídeos e áudios falsos — chamados de deepfakes — para se passar por pessoas conhecidas da vítima, diretores de empresas ou até autoridades. A Kaspersky identificou um aumento de 267% em ataques que usam conteúdos manipulados por inteligência artificial entre 2023 e 2024. A tendência segue em forte crescimento em 2026. - Extorsão sexual online (sextorsão)
A sextorsão — extorsão com imagens ou vídeos íntimos — cresceu 90% em 2025. O crime funciona assim: o criminoso obtém (por furto, invasão ou consenso inicial) imagens íntimas da vítima e passa a ameaçar divulgá-las em troca de dinheiro ou de novas imagens. Jovens e adolescentes são os grupos mais vulneráveis. - Crimes contra a honra nas redes sociais
Difamação, calúnia e injúria têm migrado massivamente para o ambiente digital. Perfis falsos, prints adulterados, campanhas de ódio coordenadas — os crimes contra a honra na internet crescem na mesma velocidade em que crescem as redes sociais.
Por que o problema vai continuar crescendo
Há uma combinação de fatores que explica por que os crimes digitais no Brasil tendem a se agravar nos próximos anos:
Digitalização acelerada da população: mais brasileiros online significa mais alvos em potencial
Cibercriminosos cada vez mais organizados: o crime digital se estruturou como uma indústria, com divisão de trabalho, hierarquia e até ‘suporte ao cliente’
Adoção da IA pelo crime: ferramentas de inteligência artificial estão sendo usadas para criar ataques mais sofisticados, personalizados e difíceis de detectar
Lacuna de profissionais qualificados: a falta de especialistas em investigação e prevenção de crimes digitais é um dos principais obstáculos ao combate eficaz
Legislação em defasagem: as leis evoluem mais lentamente do que os crimes — gerando zonas cinzentas que criminosos exploram com maestria
⚠️ O setor de educação foi o mais atacado por cibercrimes no primeiro trimestre de 2025, com uma média de 4.484 ataques por semana por organização — aumento de 73% em relação a 2024.
E quando o crime acontece com você — o que fazer?
Se você foi vítima de um crime digital, a primeira e mais importante recomendação é: não apague nada. Prints, conversas, e-mails, URLs — tudo isso pode ser essencial como prova em um processo. Depois:
Registre um Boletim de Ocorrência — presencialmente em uma delegacia especializada em crimes cibernéticos (existem em vários estados) ou online pelo site da Polícia Civil do seu estado
Considere fazer uma Ata Notarial — um cartório certifica que aquele conteúdo existia naquela data, com fé pública
Denuncie às plataformas — Instagram, WhatsApp, Facebook, Google têm canais de denúncia para perfis falsos e conteúdos ilegais
Busque orientação jurídica — advogados especializados em direito digital podem orientar sobre ressarcimento de danos e representação criminal
🔍 Sabia que um especialista em crimes digitais pode fazer toda a diferença entre uma vítima desamparada e um processo bem instruído que resulta em responsabilização? Essa é exatamente a formação que o mercado precisa urgentemente.
Por que essa é a hora de se especializar
O crescimento dos crimes digitais criou uma demanda enorme por profissionais capacitados a investigar, prevenir e atuar juridicamente nessa área. Delegados, advogados, analistas de TI, assistentes sociais, profissionais de RH e de compliance — todos estão percebendo que precisam de uma formação sólida em criminologia digital para exercer suas funções com excelência.
O Instituto Veritas, em parceria com a FBT – Faculdade Brasileira de Tributação, oferece a Pós-Graduação em Criminologia e Cibercrime, com corpo docente formado por especialistas, mestres e doutores com atuação consolidada nas áreas jurídica, de segurança pública e investigação criminal — profissionais brasileiros e portugueses com experiência real nas trincheiras do crime digital.
E há um diferencial que faz essa formação única no Brasil: alunos que concluem a pós-graduação têm a possibilidade de dar continuidade aos estudos no Mestrado em Criminologia da Universidade Fernando Pessoa (UFP), em Portugal, com aproveitamento de até 100% dos créditos cursados, conforme Protocolo de Cooperação firmado entre as instituições. Tudo isso à distância.